O chef Nuno Diniz foi distinguido com o Prémio Armando Fernandes 2025, durante a cerimónia inaugural do Festival Nacional de Gastronomia de Santarém, que decorre até 26 de Outubro na Casa do Campino.
A distinção, criada pelas Edições do Gosto, homenageia o investigador e historiador Armando Fernandes e reconhece personalidades que se destacam pela valorização da gastronomia portuguesa. Depois de Alexandra Prado Coelho ter vencido a primeira edição, em 2024, o galardão foi agora entregue a Nuno Diniz, chef, professor, autor e divulgador da cultura gastronómica nacional.
“Embora seja lisboeta, a família da minha mãe é de Torres Novas. Sinto-me em casa sempre que venho a Santarém”, afirmou o premiado, visivelmente emocionado, durante a cerimónia que reuniu o presidente da Câmara Municipal de Santarém, João Teixeira Leite, o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, e várias confrarias gastronómicas de todo o país.
Conhecido pela sua exigência e pelo rigor intelectual, Nuno Diniz é autor de Entre Fumos e Ventos – Fumeiros e Enchidos de Portugal, um livro de referência sobre os produtos tradicionais portugueses. Foi professor durante mais de uma década na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, e leccionou também na Universidade de Coimbra, no primeiro curso de licenciatura em Gastronomia.
Em Maio deste ano, o Guia Boa Cama Boa Mesa atribuiu-lhe o Prémio Carreira, reconhecendo a sua dedicação à formação e ao pensamento gastronómico.
Durante a entrega do prémio, o editor Paulo Amado, das Edições do Gosto, descreveu o galardão como “uma forma de alongar a vida e o legado de Armando Fernandes”, figura que, nas suas palavras, “soube unir cultura, história e prazer à mesa”.
O presidente da Câmara, João Teixeira Leite, enalteceu o papel do festival e da distinção “na afirmação de Santarém como capital nacional da gastronomia” e destacou a “singularidade e autenticidade do percurso de Nuno Diniz”.
Aos 65 anos, o chef mantém-se fiel à simplicidade dos sabores e à verdade dos produtos. Vive actualmente em Serzelhe, em Trás-os-Montes, onde se dedica à escrita, à música e à cozinha. “Não sou uma pessoa fácil de comover, mas este momento toca-me de verdade. É um prazer enorme estar aqui”, disse, encerrando um dos momentos mais marcantes desta edição do Festival Nacional de Gastronomia.